21 de junho de 2009

Antitranspirantes e o câncer de mama

Muitos de nós já recebemos um e-mail que fala sobre a relação do uso de desodorantes com o câncer de mama. Essa mensagem é um tanto imprecisa, e muitas vezes parece ter um dom demasiado dramático, sem argumentação suficiente para que não pareça um reles "hoax" (embuste) da Internet.
No início de março de 2006, os sites de informação CBS News e o forbes.com traziam um novo artigo a respeito do assunto. Parece que agora as coisas começaram a ficar mais claras.
O problema dos antitranspirantes é a presença, na sua composição, de alumínio (cloridrato de alumínio), geralmente numa concentração de 25%. Foi descoberto que o alumínio pode imitar as ações do estrogênio, e como já está mais do que comprovado, as substâncias que imitam o estradiol estão relacionadas com a multiplicação e o crescimento de células do câncer de mama (entre inúmeros outros problemas de saúde para homens e mulheres, e para todas as espécies animais do planeta). Dessa forma, o alumínio pode ser mais um dos incontáveis xenoestrogênios encontrados nos produtos de consumo disponibilizados para a população. Os produtos de higiene e os cosméticos têm ainda um outro grupo de substâncias muito suspeitas que são os parabenos e seus derivados que costumam fazer parte de xampus, sabonetes líquidos, pomadas e cremes para pele, lenços higiênicos para nenês, perfumes, loções etc.
Esse artigo fala também do cádmio como agente que pode ter relação com o câncer de mama. O cádmio é um conhecido tóxico ambiental. É constituinte de baterias e pilhas comuns. O cádmio liberado de forma irresponsável no meio ambiente retorna para o ser humano através de inúmeros alimentos. No caso do câncer de mama é sublinhado que o cádmio é colocado para dentro do corpo da mulher pelo hábito de fumar. Obviamente a folha de tabaco não tem cádmio em sua constituição natural. Como quase todos os milhares de agentes tóxicos do cigarro, o cádmio está presente pela ação da industrialização na produção e manufatura do cigarro, e do papel branqueado que o envolve. (As campanhas públicas que demonizam o cigarro deveriam explicar o quanto o uso de agrotóxicos – e seus fabricantes, multinacionais de produtos químicos – estão envolvidos com os perigos de fumar, sendo tão, ou mais, responsáveis pelas doenças envolvidas com o tabagismo, quanto os fabricantes de cigarros).
O parabenos e seus derivados são encontrados nos tecidos de câncer mamário. Apesar disso, como costuma acontecer, os agentes oficiais (que deveriam testar e controlar o uso de substâncias potencialmente perigosas) costumam dar a resposta evasiva de que não há estudos concludentes a respeito desse grave risco. É uma maneira interessante de atuar. São disponibilizados milhares de produtos de consumo, com composições químicas novas, que depois de vendidas são testadas, aos poucos. Dessa maneira, podemos ter certeza de uma coisa: boa parte de belos produtos de empresas com respeito público estão sendo testados diretamente pelo público consumidor. Doenças graves e degenerativas têm múltiplas causas. As relações de causa e efeito são de difícil comprovação. Assim podemos estar expondo boa parte da população a situações de risco de forma inadvertida, pela simples crença atual de que tudo que o progresso tecnológico produz é seguro e confiável. Um dogma moderno construído na medida em que se abstrai o fato da ciência estar totalmente inserida na sociedade de consumo.
Há poucos anos o Enviromental Work Group – EWG (veja o site: www.ewg.org) admitia que somente 28 cosméticos comuns tinham todos os ingredientes totalmente testados, de um total aproximado de 7500 disponíveis!
O câncer de mama é uma doença comum dos tempos atuais. Há uma série de fatores que estão envolvidos. Infelizmente, sua prevenção está limitada ao diagnóstico precoce. Afinal de contas, se para evitarmos esse mal temos que fazer exames para descobri-lo precocemente, estamos diante de um hipócrita eufemismo, afinal prevenir deveria ser uma atitude para não se ter câncer de mama. Mas quais são as condutas sugeridas para não se ter tal enfermidade? Qual é a orientação que é dada ao grande publico para que se faça realmente prevenção? Quase nada. Há inúmeras instituições, cheias de boas intenções, que estimulam o auto-toque, ou facilitam o acesso aos exames, mas isso qualquer pessoa, mesmo com poucos recursos intelectuais, sabe que não é uma forma de evitar o câncer.
Segundo o livro “What your doctor may not tell you about Breast Câncer” do medico americano, infelizmente já falecido, dr. John R Lee, em associação com David Zava e Virginia Hopkins, essa doença é antes de mais nada fruto de um desequilíbrio hormonal. Esse desequilíbrio é denominado de Predominância Estrogênica. Ou seja: um desequilíbrio entre as ações do principal estrogênio, o estradiol em relação à progesterona. Atualmente há um excesso de ação estrogênica sob o organismo humano, que não encontra um saudável antagonismo protetor da progesterona. Esse excesso não é fruto somente do estradiol produzido endogenamente, mas também de inúmeros produtos químicos que se comportam como estrogênio – os já citados xenoestrogênios. Entre as milhares de fontes de xenoestrogênios temos os plásticos (isopor, PVC etc.), e inúmeros outros derivados de petróleo, muitos dos quais nas formas de agrotóxicos. O mais famoso agrotóxico, já proibido, que imita estrogênios é o DDT, usado trivialmente no Brasil até há bem pouco tempo atrás.
O excesso de ação de estrogênios, naturalmente, também é favorecido pelo uso de pílulas anticoncepcionais, que usam um produto sintético: o etinilestradiol. A predominância estrogênica das pílulas também é alcançada pela privação da produção de progesterona. Durante o uso de anticoncepcionais, o organismo não produz o corpo lúteo. Esse órgão é produzido ritmicamente no ciclo menstrual. É um importante liberador de progesterona endógena. Sem o corpo lúteo não há como haver produção de progesterona em quantidades fisiológicas. Durante todo o tempo que uma mulher ficar sob ação desse poderoso tipo de medicação, ela fica à mercê da predominância estrogênica e seus potenciais efeitos deletérios. Cabe salientar que as progestinas (substâncias químicas participantes das pílulas, como o gestodeno ou o levornogestrel) são quimicamente diferentes da progesterona (C21-H30-O2), e essas diferenças químicas não enganam a fisiologia humana, podendo levar a inúmeros e graves problemas de saúde.
Uma outra fonte de similares aos estrogênios está nos alimentos. Produtos obtidos da soja, que têm genisteína podem estimular o crescimento de células tumorais hormônio-dependentes, como o câncer de mama. (O leite de soja e a proteína de soja oferecem quantias inapropriadas dessa substância, entre outros antinutrientes, não sendo considerados alimentos saudáveis, devendo ser evitados). Alimentos em contato com plásticos aquecidos também podem fornecer quantias pequenas de xenoestrogênios. Comprar alimentos quentes em recipientes de isopor, no supermercado, por exemplo, pode ser uma péssima idéia.
Fatores como a falta de amamentação, escassez gestacional, cotidiano estressante, poucas horas de sono, sofrimento emocional, a resistência à insulina (pelo consumo inapropriado de açúcar e outros carboidratos), insuficiência da tireóide, flúor na água, também podem integrar o rol de fatores ligados às doenças da mama.
Voltando aos antitranspirantes, cabe ressaltar que há estudos que mostram que há uma relação entre um diagnóstico de câncer em idades mais jovens entre usuárias desse produto. Principalmente naquelas que fazem depilação antes da sua aplicação. (A depilação prévia pode provocar lesões e diminuir a integridade tecidual da pele nas axilas).
Para que as mulheres possam se proteger do câncer de mama elas devem ser informadas das causas do câncer. Há inúmeros fatores bem mais palpáveis e contornáveis do que a questão hereditária que nem é a mais importante. Infelizmente, nesse sentido, a mídia científica está em plena idade das trevas. Ou melhor: na idade dos exames de diagnóstico precoce, ou, mais exatamente, dos eufemismos tecnológicos. Em todo o caso, o negócio é evitar, na medida do possível tudo que imite estradiol, e com certeza os antitranspirantes.

(José Carlos Brasil Peixoto, 280406)
Referências:
Internet:
http://www.cbsnews.com/stories/2006/03/01/health/webmd/main1361403.shtml
http://www.forbes.com/lifestyle/health/feeds/hscout/2006/03/06/hscout531342.html
http://www.cancer.gov/cancertopics/factsheet/Risk/AP-Deo
http://www.ewg.org
Livros:
Lee, John R; Hopkins V.; Zava D. –“ What your doctor may tell you not about breast cancer”, Warner books, 2003; (impressionante livro em fase tradução por José Carlos Brasil Peixoto)
Colborn, Theo; Dumanoski, D; Myers, J.P.; – “O Futuro roubado”, LPM, 2002.

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